Desde o nascimento, a alimentação exerce grande influência em todos os aspectos da saúde da criança. A falta de nutrientes essenciais pode resultar em falhas no crescimento e no desenvolvimento infantil, aumentando a vulnerabilidade às infecções, atrasos no processo de maturação do sistema nervoso e intelectual, podendo até ser irreversível dependendo da intensidade e do tempo que a criança ficou exposta à falta de nutrientes.

No Brasil as pesquisas apontam que 17,4% das crianças até 5 anos tem falta de vitamina A. Esta carência pode a ocorrer em qualquer fase da vida, entretanto, ela é potencialmente um problema de saúde entre as crianças de até 6 anos de idade. Este período é caracterizado pela alta necessidade desta vitamina para suportar o rápido crescimento, transição da alimentação do leite materno para a dependência de outras fontes alimentares e aumento da frequência de infecções. A consequência da deficiência de vitamina A nos primeiros anos de vida incluem o retardo do crescimento e desenvolvimento e em casos mais graves pode levar à cegueira.

A vitamina A é encontrada em alimentos de origem animal, como leite humano, carnes, fígado, óleos de fígado de peixe, gema de ovo, leite integral e seus derivados. Aproveita-se também a vitamina A de alimentos de origem vegetal como as frutas amarelo alaranjadas não ácidas como manga, damasco e mamão, além de hortaliças verdes como espinafre, também na cenoura e suas folhas.

A niacina, ou vitamina B3, também conhecida como ácido nicotínico, pode ser produzida dentro do organismo, com a presença de um aminoácido (parte das proteínas) chamado triptofano.Sua função é fundamental durante a infância pois ela participa da produção de energia a partir dos alimentos ingeridos. Quando a alimentação não é adequada às suas necessidades e a família não tem a orientação correta, a criança pode desenvolver fraqueza muscular, perda de apetite, e alterações na pele, decorrentes da falta da niacina. A forma grave é o surgimento da pelagra ("pele áspera") que se caracteriza por pele avermelhada e áspera, principalmente nas áreas mais expostas à luz solar: rosto, pescoço, joelhos, cotovelos; língua vermelha e lisa; ardor na boca; estomatite; diarreia e alterações mentais (cefaleia, irritabilidade, esquecimento, etc.)

As principais fontes da vitamina B3 são: fígado, carnes em geral (aves e peixes), amendoim e cereais integrais, como trigo. O leite e os ovos, apesar de pobres em niacina, são boas fontes de triptofano. Estes alimentos devem participar rotineiramente da alimentação das crianças.

Para garantir a oferta de nutrientes importantes como vitaminas e minerais, a alimentação da criança não deve ser sempre a mesma, contendo somente os alimentos que ela gosta. Quanto maior a variedade de alimentos oferecidos, maior a quantidade de nutrientes que será ingerido. A monotonia alimentar é muito comum na infância devido à rejeição de determinados grupos de alimentos como frutas, verduras, legumes, castanhas e leguminosas, porém esta condição pode ser evitada e prevenida, expondo a criança a diferentes cores de alimentos, texturas e consistência variadas rotineiramente.

 

 

REFERÊNCIAS

COZZOLINO,S.M.F.- Biodisponibilidade de nutrientes. 4o.ed. Manole, 2012, 481p.

Tavares, Bruno Mendes, et al. "Estado nutricional e consumo de energia e nutrientes de pré-escolares que frequentam creches no município de Manaus, Amazonas: existem diferenças entre creches públicas e privadas?." Rev. paul. pediatr 30.1 (2012): 42-50.

Bernardi, Juliana Rombaldi, et al. "Dietary micronutrient intake of preschool children at home and in kindergartens of the municipality of Caxias do Sul (RS), Brazil." Revista de Nutrição 24.2 (2011): 253-261.

de Queiroz, Daiane, et al. "Deficiência de vitamina A e fatores associados em crianças de áreas urbanas." Revista de Saúde Pública 47.2 (2013): 248-256.

Fonte: pediatraonline.com.br